domingo, 29 de maio de 2011

Os conflitos descritos por Erikson


Assim como Freud, Piaget, Sullivan, entre ouras figuras da época, Erikson optou por distribuir o desenvolvimento humano em fases. Mas ele inicia o seu trabalho, tendo o clico vital como um contínuo onde cada fase influencia a seguinte. A partir disso, sua teoria apresenta algumas peculiaridades, que são elas;

·         Desviou-se o foco fundamental da sexualidade para as relações sociais;
·          A proposta os estágios psicossociais envolvem outras artes do ciclo vital além da infância, ampliando a proposta de Freud. Não existe uma negação da importância dos estágios infantil (afinal, neles se dá todo um desenvolvimento psicológico e motor), mas Erikson observa que o que construímos na infância em termos de personalidade não é totalmente fixo e pode ser parcialmente modificado por experiências posteriores;
·          A cada etapa, o indivíduo cresce a partir das exigências internas de seu ego, mas também das exigências do meio em que vive, sendo portanto essencial a análise dacultura e da sociedade em que vive o sujeito em questão;
·         Em cada estágio o ego passa por uma crise (que dá nome ao estágio). Esta crise pode ter um desfecho positivo (ritualização) ou negativo (ritualismo);
·          Da solução positiva, da crise, surge um ego mais rico e forte; da solução negativa temos um ego mais fragilizado;
·          A cada crise, a personalidade vai se reestruturando e se reformulando de acordo com as experiências vividas, enquanto o ego vai se adaptando a seus sucessos e fracasso.


Erikson criou alguns estágios e os chamou de psicossociais, onde ele descreveu algumas crises pelas quais o ego passa, ao longo do ciclo vital. Estas crises seriam estruturadas de forma que, ao sair delas, o sujeito sairia com um ego (no sentido freudiano) mais fortalecido ou mais frágil, de acordo com sua vivência do conflito, e este final de crise influenciaria diretamente o próximo estágio, de forma que o crescimento e o desenvolvimento do indivíduo estaria completamente imbricado no seu contexto social, palco destas crises. Citaremos agora os principais conflitos descritos por Erikson.

Confiança Básica x Desconfiança Básica
Autonomia x Vergonha e Dúvida
Iniciativa x Culpa
Diligência x Inferioridade
Identidade x Confusão de Identidade
Intimidade x Isolamento
Generatividade x Estagnação
Integridade x desespero

Filosofia High/Scope

A filosogia High/Scope de educação infantil é um método de execução usada do jardim de infância, pré-escola ou ensino fundamental. Ele foi desenvolvido nos Estados Unidos, na década de 1960, mas agora é comum em vários outros países.





A filosofia por trás da High/Scope, baseada nas idéias de Jean Piaget, é que as crianças devem participar ativamente na sua própria aprendizagem. “Learn by doing”. Muitas vezes trabalhando com as mãos sobre os materiais e executando projetos de sua própria escolha. Os adultos que trabalham com as crianças se vêem mais como facilitadores ou parceiros do que como gerentes ou supervisores.



Em uma escola High/Scope, as diferentes áreas de sala de aula são designados para diferentes atividades, por exemplo atividades aquáticas, leitura, brincar em caixas de areia, artes, teatro, etc. Crianças estão destinadas a serem capazes de acessar todas as instalações de forma independente e serem capazes de assumir algumas responsabilidades para o uso dessas áreas.
Hoje, a abordagem High/Scope tem sido usada com sucesso em escolas de Educação infantil e ensino fundamental, públicas e privadas, também incluindo reservas indígenas, cidades grandes e pequenas cidades.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Civismo x Moralidade

O mal estar na cultura...
Sob a pressão dessas possibilidades de sofrimento, não espanta que os seres humanos costumem moderar suas reivindicações de felicidade, tal como o próprio princípio de prazer, sob a influência do mundo externo, se transformou no mais moderno princípio da realidade; não espanta que já se considerem felizes por terem escapado à infelicidade e resistido ao sofrimento, e que, de um modo geral, a tarefa de evitar o sofrimento desloque para o segundo plano a de obter prazer... (Trecho da Obra; O mal estar na cultura – Sigmund Freud).

Aproveitando dessa esquematização do comportamento social massivo, podemos fazer um gancho com a teoria de Kohlberg, dos estágios, da seguinte maneira:
1                - Nível pré convencional com dois degraus definidos pelas razões:

        Estágio 1. Castigo e obediência“não vou transgredir para evitar o castigo.”
         Estágio 2. Objetivo instrumental individual e de troca – “vou cooperar na transgressão para ser ajudado em retorno”

2                Nível Convencional com dois degraus definidos pelas razões:
Estágio 3. Expectativas interpessoais mútuas“Transgredirei com ele porque quero sua amizade, afeição, estima ...”
Estágio 4. Preservação do sistema social “cumprirei as suas normas porque é errado desobedecer às autoridades e contra as leis”

3          – Nível Pós-convencional com dois degraus definidos pelas razões:

Estágio 5. Direitos originários,contrato social ou utilidade“não vou transgredir porque isto interfere com os direitos de outros e futurameente meus direitos podem igualmente ser violados”.
Estágio 6. Princípios éticos universaisHá  princípios universais que regem as relações entre todos os seres humanos e não há força externa quer possa compelir-me a atuar em algo errado ou que se afaste destes pincípios. (Ghandi, Martin Luther King, Nelson Mandela...)


  Os Valores mais elevados desta lista hierarquizada são:

·         Preservação da Vida e Saúde Humanas

·         Preservação da Dignidade Humana

·         Preservação das Liberdades Humanas
(de cada um  e de todos os indivíduos, de propriedade, de inviolabilidade e dignidade do lar, de auto-defesa, de segurança e privacidade, de empreender, de ir e vir, de tratamento igual perante á lei com presunção primária pública de inocência, de acesso à informação isenta, de expressão e comunicação responsável, de defesa dos próprios interesses, de trabalho e remuneração digna, de ambiente de proteção, permissão e potência, de acesso à educação de qualidade, à tecnologia e ao desenvolvimento científico continuados, de exercício da criatividade, de proteção em idades  e situações vulneráveis (tais como infância, velhice, gravidez, enfermidade, deficiências físicas etc...)

·         Busca e Exercício da Excelência em tudo que fizer, receber e oferecer.

·         Preservação da Vida em Geral.


Ética x Moral: A ética pressupõe análise e reflexão antes do agir. Toda existência tem o lado  da alteridade, isto é, da dimensão do outro. “A Ética é um conjunto de valores e princípios universais que regem as relações humanas”.


ÉTICA:
ü  Princípio, subjetivo.
ü  Mundo das idéias.

MORAL:
ü  A prática,
ü  Ação objetiva;
ü  Comportamento;
ü  Regulação da conduta para expressar o que é ético 

O que é certo e o que é errado? Quando e como cada indivíduo começa a fazer seus juízos de valor?
 E o que ele leva em consideração?

AS FASES SEGUNDO PIAGET


§  SENSÓRIO MOTOR e PROJETIVO: (1 a 3 anos) Conhece o mundo pelos órgãos do sentido. Caracteriza-se pela investigação e exploração da realidade exterior bem como pela aquisição da aptidão simbólica e pelo início da representação. Neste momento a inteligência dedica-se  à construção da realidade. Atividade circular: coordenação mútua dos campos sensoriais e motores, possibilitando um ajustamento do gesto ao seu efeito, o que refina os progressos da preensão, da percepção e da linguagem. – Quanto as possibilidades práticas: ampliadas pela novidade da marcha e da linguagem, favorecem portanto a atuação da criança em relação ao mundo que a rodeia e, ao mesmo tempo alargam sua referência de si mesma.
Inteligência prática ou inteligência das situações: é estabelecida através das relações no espaço sensório motor, isto significa que a criança é capaz de perceber e fazer combinações o que pressupõe a intuição das relações voltadas para a ação imediata, em um espaço concreto e delimitado e em um tempo presente.
Símbolos: segunda etapa do estágio “etapa projetiva” que caracteriza a forma do funcionamento mental da criança: o ato mental projeta-se em atos motores. Necessita d auxílio dos gestos para exteriorizar seus pensamentos.
Dois momentos projetivos: - a imitação, que inicialmente usa o modelo e depois passa a explorar os objetos se libertando da relação afetiva; - o simulacro caracteriza-se pelo exercício do pensamento apoiado em gestos.
Função simbólica: representação do real, estabelecimento de significados para as representações, possibilidade de lidar com os objetos não só de maneira concreta, mas também através de gestos simbólicos.

§  PRÉ OPERACIONAL: (2 – 7 anos) Capacidade de interpretação. A criança tem representações mentais e pode fingir, é uma etapa curta ao isso dos símbolos.

Um símbolo é uma coisa que representa algo mais. Um desenho, uma palavra escrita, ou uma palavra falada vêm ser compreendidos como a representação de um cão real.
A criança é completamente egocêntrica durante este estágio, isto é, vê coisas consideravelmente muito de um ponto de vista: seus próprios! As conversas das crianças também revelam seu egocentrismo, como um menino demonstrou: “você tem um irmão?” “tenho” “como ele se chama?” “Jean” “O Jean tem irmão?” “Não”.
Para uma criança de 5 anos, a quantidade de água que é “demais” num copo alto e fino pode se tornar aceitável se despejada num copo baixo e largo. Considerando que nos dois copos foi usado o mesmo volume de água. Isso acontece porque a criança focaliza apenas a dimensão de altura e é incapaz de efetuar a operação de despejar a água de volta mentalmente.
A criança deste estágio:
Ø  É egocêntrica;
Ø  Não aceita a idéia do acaso e tudo deve ter uma explicação (é a fase dos “por quês”);
Ø  Já pode agir por simulação, “como se”;
Ø  Possui percepção global sem discriminar detalhes;
Ø  Deixa se levar pela aparência sem relacionar fatos.

§  OPERAÇÕES CONCRETAS: (7 – 11 anos) Organismo versus meio. Situação de experimentação entre a criança e o meio. É mais detalhista.
Observa-se a capacidade de solucionar problemas. O pensamento da criança torna-se lógico, no sentido de que pode ser observada a reversibilidade. Este comportamento só acontece com problemas que são concretos.
Ø  Conservação: compreensão de que, se nada é acrescentado ou retirado de um objeto, esse permanece o mesmo, embora possa sofrer mudanças na sua aparência. Esse conceito é adquirido gradualmente, e sempre na mesma ordem: número, massa, líquido, peso e volume.
Ø  Seriação: capacidade de classificar itens em maior ou menor. Envolve a disposição de coisas em ordem por tamanho, peso e volume
Ø  Classificação: ato de agrupar por similaridade. Fazem parte da classificação:
- Transitividade: crianças operacionais concretas com o conhecimento de transitividade utilizam a lógica: se 3>2 e 2>1 então 3>1.
- Inclusão de classes: conseguem ter a noção de que, por exemplo, o número 4 faz parte do conjunto 1-9.
Ø  Egocentrismo: No estágio operacional concreto as crianças apresentam uma dificuldade em diferenciar entre o que se percebe e o que se pensa. Quando a criança cria uma hipótese sobre alguma coisa e as evidências não dão suporte para a crença, em vez de mudar a hipótese para adequá-la a evidência (como fazem os adultos) ela reinterpreta os fatos para adequá-los a hipótese.
Ø  Sociocentrismo: procura de validade para o próprio pensamento
A evolução do egocentrismo para o sociocentrismo se da através da interação com os colegas.


§  OPERAÇÕES FORMAIS: (11 – 15 anos) Caracteriza o pensamento adolescente.
É a capacidade de pensar além da realidade concreta. Para o pensador formal, a realidade concreta é apenas uma das possibilidades para o pensamento. Neste estágio a criança pode pensar, abstrações na matemática ou metáforas na literatura, em conceitos abstratos como ética, amor e justiça.
Ø  Raciocínio lógico: um provérbio PE um dito comum curto que expressa alguma verdade óbvia ou experiência conhecida. Por exemplo: “quem tem telhado de vidro não deve jogar pedras”. Uma explicação operacional concreta seria que pessoas que vivem em uma casa com telhado de vidro não joga pedras por que o telhado irá quebrar, enquanto uma explicação operacional formal seria que as pessoas não devem criticar os outros sem olhar primeiro para si. Pensadores operacionais formais podem construir hipóteses contrárias aos fatos e também podem separar o processo de raciocínio do conteúdo específico, o que lhes possibilita resolver muitos problemas desse tipo. As operações formais podem ser resumidas em 3 características distintas:
1)    Capacidade de gerar múltiplas hipóteses;
2)    Capacidade de verificar todas as soluções possíveis de forma sistemática;
3)    Capacidade de operar com operações.
Ø  Pensamento em possibilidades: Enquanto pensadores operacionais concretos só conseguem derivar uma solução para um problema que poderia ter várias soluções, pensadores operacionais formais podem gerar muitas soluções. Quanto mais possibilidades existirem para o pensamento operacional formal, mais sistemática em vez de tentativa e erro, tem de ser a abordagem para testar as hipóteses.
Ø  Pensamento científico ou sistemático: pensadores operacionais formais aplicam as mesmas regras a problemas hipotéticos que aplicariam a problemas concretos ou reais. Eles desenvolveram uma abordagem sistemática para a resolução de problemas “operar com operações”
Ø  Egocentrismo: nesse estágio a forma de egocentrismo é que o adolescente tem dificuldade para diferenciar entre seus pensamentos e a realidade no mundo.

Desenvolvimento Humano


O desenvolvimento é um processo de construção social que se dá nas e através das múltiplas interações que um indivíduo estabelece desde o seu nascimento, com outras pessoas e, particularmente, com aquela com as quais ele mantém um maior vínculo afetivo. Tais interações ocorrem em ambientes organizados e modificados pelos adultos,.Conforme as concepções sobre desenvolvimento infantil próprias daquelas culturas, das quais eles se apropriam através de suas experiências anteriores (ROSSETTI – FERREIRA, 1997).
O ser humano não é um ser instintivo e sim um ser social que depende do convívio de outro ser humano, que passa por um processo de aprendizagem. A aprendizagem só ocorre com a interação com os outros.
O desenvolvimento humano consiste em um aspecto em que estão envolvidos múltiplos fatores, com suas características e necessidades desenvolvimentais próprias.
Todos participam ativamente desse processo, construindo-se e constituindo-se nas interações que estabelecem uns com os outros.
O desenvolvimento se dá durante todo o ciclo vital, desde a concepção até a morte. Ele consiste em mudanças, havendo momentos em que elas são mais intensas e outros em que pouco ocorrem. Mas, apresentam-se em qualquer fase da vida e envolvem ganhos e perdas, ascensão e declínio.
Durante a vida, o ser humano tem habilidade e competências diferentes, não necessariamente acumulativas.